terça-feira, 13 de maio de 2008

Urso de pelúcia também usa os trens

Pena não ter filmado. Foi realmente engraçado!

Eu estava na sempre péssima estação Villa Lobos – Jaguaré, aguardando, aguardando e aguardando um trem onde eu coubesse, quando vi chegar o indivíduo. Ele trazia nas costas um urso de pelúcia gigante, desses que iludem criancinhas e as fazem pagar rifas inteiras (eu sei, eu vivia me ferrando nessa). Junto com ele, chegou um trem muito, muito lotado.

O trem parou e, como não conseguia fechar as portas, demorou um tempo na estação. O homem e seu ursão foram passando e observando alguma remota possibilidade de embarque. Ele passou por uma porta e nada. Passou pela outra, nada. Passou pela outra... nada. Ele passava, olhava e fazia uma cara de “não vai dar”.

Eu, sentada no banco ao lado de mais dois homens e outras poucas pessoas ali por perto observávamos atentamente. Mão no queixo, olhos da esquerda para a direita, conforme os passos que carregavam o urso. Nossos pensamentos deviam ser idênticos: “ai ai ai...”. Naquele momento, tudo ficou em silêncio e as atenções estavam todas voltadas ao homem – ou ao urso, mais provavelmente. Até que o homem parou diante de uma porta tomada por corpos e observou analisou.

Muito engraçado a cara do pessoal! As pessoas empaçocadas dentro do vagão olhavam com cara de súplica pra ele, meio que dizendo “não, por favor, não entre”. O homem, por sua vez, fez a cara de “não vai dar” e virou-se levemente para olado, meio que desistindo.

Ilusão! De um pulo só, ele se encaixou em um vãozinho lá dentro, se ajeitou, tudo muito rápido. Foi só risada! Eu, os homens no banco e o pessoal de dentro e fora do trem, não conseguimos resistir. Trágico, mas cômico! E mais engraçado ainda ficou depois, quando chegou a vez de o uso entrar. As pessoas que antes carregavam cara de súplica, naquela hora já haviam se conformado, riam, afinal, o homem ia mesmo com eles, e o urso também. Acabaram ajudando a puxar o urso enorme pra dentro do vagão, que, ao fechar as portas, desceu do teto e ficou prensado no vidro, nos dando tchau.

Foi embora... e nós ali, rindo da tragédia humana.

Um comentário:

Marcos disse...

hahaha, muito bom! gostei da sua história!